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Desabafos De Todos Os Tipos E Feitios

Ataque de vikings

Tenho a impressão que uma grande percentagem de pais hoje em dia interpreta a velha frase "deixem as crianças ser crianças" como "deixem os vikings piquenos partirem tudo o que quiserem em estabelecimentos de restauração e outros".

 

Falando a sério, há algo de muito errado quando se vêm miúdos aos berros a bater portas, saltar cadeiras, esgravatanhar livros e etc, enquanto os papás estão a pôr a conversa em dia e não fazem nada para alterar este comportamento.

 

Por outro lado, este comportamento parece-me um bom método contraceptivo para a audiência susceptível.

As doenças da moda

Aparentemente a intolerância à lactose é moda. Qualquer sanita que tenha sido alvo dos efeitos de uma, pode de certo confirmar o quão glamorosa esta moda é, e as inúmeras vantagens de aderir. Deve ser assim semelhante ao cancro, com a quantidade de mortes recentes devido ao cancro, só pode ser moda. É que não há outra explicação. 

 

Bem, certo é que depois de ouvir certas coisas, uma pessoa pensa se no meio dos voluntários que tomaram a molécula no ensaio clínico que pôs 6 pessoas no hospital, uma com morte cerebral e as restantes com danos irreversíveis, não estariam também os indivíduos que se têm manifestado com certas pérolas ultimamente. E não, desta vez a culpa não é da cannabis. Pelo menos no caso do ensaio clínico não é, no resto já não digo nada.

 

Os bandos

Não, não é sobre grupos organizados, nem outro tipo de bandidagem desorganizada. O que me traz aqui é todo um outro agrupamento de pessoas. Refiro-me pois à classe estudantil que ao sair da escola, o faz tal e qual um bando de pássaros em migração para um local mais quente. A diferença é que os ditos passaritos se desviam dos prédios e outros obstáculos, enquanto que os ditos estudantes definem a trajectória que mais lhes convém ou, na minha opinião, a que mais adrenalina contém, e prego a fundo:“Ala que se faz tarde”.

 

Pois bem, é isto: Chegada à hora de saída das aulas, é parar e ver o êxodo estudantil  proveniente dos diferentes estabelecimentos de ensino, fugir do local como se se de uma casa de banho com odores fedorentos e outras evidencias nas porcelanas típicas de tal lugar se tratasse. Nada contra. O problema é que tão focados estão eles em afastarem-se do edifício que cruzam parques de estacionamento e estradas como se estes fossem vias com prioridade para os peões. Darem prioridade aos veículos em circulação ou arredarem-se dos em manobras que é bom, 'tá quieto. São muito finos os meninos.

 

Agora alguém indignado diz “mas os condutores têm de ter atenção perto de escolas”. Concordamos, mas os alunos (e outras pessoas) também têm de ter atenção por onde andam. Simplesmente pelo facto que levar com um carro em cima não deve ser agradável, e interromper o natural fluir do trânsito porque ir para o passeio implica dar uma ligeira curva de 45º no inicio da trajectória, é simplesmente estúpido.

 

Claro está que muitos destes sujeitos são deixados à porta da escolinha pelos seus progenitores que fazem questão de bloquear o restante trânsito. O que me leva a acreditar que deve ser um distúrbio genético qualquer. Acho mesmo que se deveria fazer um estudo sobre isto.

Os não especiais

Entendam-se como especiais, os coitadinhos e os extraordinários.

 

Estava com uma doença terminal e sobreviveu? Temos herói. Não interessa que antes da doença pontapeava gatinhos e mandava piropos altamente escabrosos a pessoas. Mas atenção, antes de ser Herói já era especial: “olha coitadinho, tem cancro”. Os que morreram coitados, não resistiram.

 

A síndrome do coitadinho é bastante semelhante com a síndrome de santidade, um atribui o adjectivo coitadinho a doentes, o outro atribui a santidade a defuntos. Huh, de repente ficou um ambiente pesado.

 

Continuemos:

 

Teve 20 a tudo na escola? Extraordinário! É um exemplo! É mau aluno? Coitadinho, não é muito inteligente. Tem notas médias? Isso não é nada de especial. É só a obrigação dele. Não é suficientemente especial para ser coitadinho e é preguiçoso para ser um exemplo.

 

Sustenta uma família com o ordenado mínimo? Não é especial, há pessoas a passar fome e pessoas a ganhar rios de dinheiro. Que me interessa se tem 4 filhos, todos a estudar, não vai de férias, nenhum deles tem smartphone e não têm TV cabo? Há quem passe fome e tenha isso tudo, logo só não tem mordomias quem não quer. Chega mesmo a ser burro: é poupado o desgraçado.

 

Queremos extremos.Se és saudável não tens direito a que te realizem desejos: vais ter tempo. Provavelmente não os vais realizar porque são algo supérfluo e não vais querer arriscar, preferirás assegurar a comida do ano seguinte. Mas também quem quer saber dos teus sonhos? O que te torna especial para que eles interessem a alguém? Afinal não estás doente nem a passar fome, não foste um dos casos mediáticos da semana, nem tens um parecido. Lamento, mas és um não especial.

 

E a vida não está fácil para os não especiais.

Os debates das Presidenciais

Debates políticos, que coisa aborrecida. Eu bem tento, juro que sim, mas o meu cérebro a cada 5 segundos teima em encontrar algo fascinante no comportamento da mosca que está parada na parede há coisa de 2 horas. É vergonhoso, eu sei. Não basta isto, os momentos em que estou com atenção só me vêm à cabeça coisas sarcásticas, como o facto de que o senhor Henrique Neto se deveria chamar Henrique Avô e sempre que ouço Sampaio da Nóvoa, o meu cérebro teima em ouvir Nódoa. Terrível, bem sei. 

 

Mas não é da minha incapacidade de ouvir do principio ao fim os debates que venho falar hoje, e sim, da necessidade que existe em alterar o formato destes. Estava a tentar ouvir a senhora Maria de Belém a enumerar todos os cargos políticos que já desempenhou quando me ocorreu que o que falha nestes debates é precisamente o formato. 

 

Há que cativar o eleitorado, já que pelo conteúdo não conseguem, visto que já sabemos que são todos uns porreirinhos, que querem é melhorar o país porque isto está muito mau, e há uma Constituição para cumprir, e não é preciso complicar, e há que ressuscitar os valores conquistados a 25 de Abril e essas coisas todas muito lindas. Soluções práticas que é bom, não se ouve em lado nenhum, logo parece-me mesmo que o formato mais indicado deveria ser algo mais relacionado com o entretenimento:

 

Pusessem os candidatos todos numa poça de lama rodeada por rede, vestidos com fatinhos de Lycra, e algo me diz que a audiência dispararia...pronto ok, Lycra é melhor não, não queremos causar danos irreversíveis nas audiências mais sensíveis. Podem ir mesmo com o fatinho todo engomado, é capaz de criar mais impacto assim.  

 

Digam lá, se não paravam para ver a Maria de Belém a puxar cabelos à Marisa, que ripostava esfregando uma amálgama de lama na cara da adversária? Ou mesmo Vitorino Silva utilizando técnicas centenárias dos agricultores de Rans contra todos os adversários e arruinando fatiotes de alta costura?

 

Acho que temos aqui uma ideia com mérito. 

 

Tino à presidência!

E botem manteiga nisso! Porque pão com manteiga é (tão) bom! Desculpem, foi mais forte que eu.

 

Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans, apresentou a sua candidatura a Belém entregando as suas 8.118 assinaturas em sete caixotes e um cesto de vindimas. Gostei da originalidade.

 

Tino de Rans apresentou a sua candidatura para “devolver a alegria ao povo”. Ora aqui está o primeiro candidato com um objetivo que me parece concretizável, ou pelo menos quase. A avaliar pela audiência que programas como Herman José e os Malucos do Riso tiveram e têm, despertar o sentido de humor dos portugueses, não me parece complicado.

 

Confesso, e perdoem-me pelo pensamento, que sempre que imagino este senhor como presidente e em visita presidencial a um país, só o consigo imaginar a cantar o seu sucesso musical do pão com manteiga. O que me deixa triste. Ainda se fosse um pãozinho com uma alheira, ou um chouriçinho, sempre tinha uma componente mais patriótica, agora manteiga? 

 

Mas agora a sério, acho muito bem que se tenha candidatado. Outra das suas razões é dar protagonismo ao povo, que até agora tem sido sempre figurante. A falar em figuras, para os que não sabem ler, o que ao que me parece não são assim tão poucos neste país, aconselha-se que perguntem a ordem pela qual os candidatos são apresentados e decorem a posição, que desta vez não há símbolos para ajudar na escolha, ao que me parece.